O passado não reconhece o seu lugar sempre presente.

Ontem fui encorajada a escrever minha opinião sobre oportunidade de negócios em Design, para a matéria de Expressão Gráfica VI da faculdade. E antes de tudo, como ninguém sai do lugar sozinho, gostaria de agradecer Luiza Tamburini, Ana Luiza Pinto e Luiz Moreira.

Minha visão sobre design tem sido lapidada a cada dia, mas poucas são as vezes que eu realmente explano o recorte do meu pensamento. Sendo assim, minha produção foi pautada em um direcionamento acadêmico, mas diz muito sobre a construção de um caráter pessoal e profissional. Por sorte, eu passo a devagar mais sobre esses conceitos em breve.

As questões culturais no Brasil regem o posicionamento do design, em comparação a Europa, América do Norte e Japão. Na Europa, folhetos de materiais promocionais que promovem por exemplo, eventos ligados a dança, shows culturais, campanhas educativas, não podem ser explorados comercialmente como é feito no Brasil; empresas não podem aplicar seus logotipos ligando o evento à sua marca, com objetivo promocional comercial. Esses, são tratados como bens culturais e toda a criação é definida com este conceito, sem a necessidade de fiscalizações, pois o seu valor é respeitado.

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Com toda certeza, um dos pilares mais importantes para a nossa profissão é a comunicação. E esta, é a matriz de um problema, e ao mesmo tempo solução, que é a educação. Muito se ouve sobre a inserção do design em disciplinas curriculares primárias, estimulando o senso estético dos estudantes juvenis. Mas quando são tidas críticas generalistas e comparativas a respeito da produção final de um projeto de design nacional e internacional, parte-se do princípio que ambos receberam em sua educação acadêmica todas as mesmas ferramentas. Pois bem, as ferramentas podem ser as mesmas, mas a habilidade vem com a prática e não a teoria.

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O designer brasileiro pode ser visto como uma criança nacional em amadurecimento. Nesse sentido, a identidade de cada profissional está crescendo de acordo com os desprendimentos tradicionalistas impostos com o nosso sistema de mercado.  E como já diz o ditado popular “quem quer rir, tem que fazer rir.” Então, é preciso um posicionamento bem definido do profissional com sua intenção de carreira. A sua atuação vai depender da sua exibição e imposição de seus ideiais de design em relação à sociedade. E da mesma forma, a sua pre disposição em experimentar a grande diversidade de elementos formais e visuais, naturais e  que o país carrega como frentes de riqueza, e transformando-os em capital rentável.

No ponto de vista simbólico, nossa identidade vai estar sendo transmitida pela forma como comunicamos nossas idéias com o mundo. E  com os efeitos da puberdade, o questionamento de suas próprias origens sugerem várias vertentes diversificadas sendo lançadas. No entanto, o processo criativo é individual. Por isso, não pode ser estabelecida uma linha gradual de evolução, afinal, ainda estamos em busca de nossas próprias origens, cada vez menos influenciados pelas quinas vivas das inspirações externas.

Dessa forma, a psicologia diria que o atual estágio do design no Brasil pode ser comparado a representação do self nos pré-adolescentes, onde há a busca da percepção do outro por si. E, de fato, a eclosão de novos eventos de design, e a entrada cada vez maior de exposições e eventos, além da necessidade de produção desses eventos, busca construir um embasamento crítico não só dos projetistas e envolvidos artisticamente, como também do público.

Mesmo com toda dedicação, é sabido que a vontade de ser visto ainda é muito maior do que de fato a sua facilidade de aplicação. A divulgação dos trabalhos também depende dessa percepção do público, ainda mais imaturo, para que haja a atração cada vez maior de interessados e envolvidos. E assim, sejam construídos novos pólos de encontro, havendo a dispersão consensual da intenção do design como um elemento natural do cotidiano nacional. Estas percepções podem ser diferenciais criativos quando vistos como uma necessidade de afirmação cultural, que se bem exploradas, podem atrair mais e mais olhares. Infelizmente a personalidade brasileira ainda é fraca o suficiente para olhar para dentro apenas pela iniciativa externa (precisamos ver o café Nexpresso fazendo sucesso para ver as possibilidades de experiências que o nosso café pode trazer). Mas percebendo isso, as universidades, empreendedores individuais e/ou o trabalhador informal, estão se propondo a direcionar o conhecimento tácito empresarial.

Os espaços físicos, estão sendo cada vez mais pensados para a sua melhor apropriação. O interessante é capacitar a formação do caráter profissional coletivamente – incentivar a entrega de bens percebidos e relacionados com o nosso contexto. Dessa forma, já é possível visualizar variadas ações, não tradicionalistas, que estão exercendo grande influência para a criação dos novos mercados da indústria criativa nacional. As economias dos países desenvolvidos demonstram que as vantagens competitivas atuais estão ancoradas na aplicação de novos conhecimentos, na inovação e na cooperação. A economia criativa, no sentido de que passa a ser necessário compartilhar talentos, recursos financeiros, conhecimentos e tecnologia. Alguns exemplos são:

 

  • EMPRESA JUNIOR – Associação civil sem fins lucrativos e com fins educacionais formada exclusivamente por alunos doensino superior ou Técnico. Cnstituídas pela união de alunos matriculados em cursos de graduação em instituições de ensino superior, organizados em uma associação civil com o intuito de realizar projetos e serviços que contribuam para o desenvolvimento do país e de formar profissionais capacitados e comprometidos com esse objetivo.

  • INCUBADORA DE EMPRESAS E NEGÓCIOS – Têm como objetivo abrigar empresas inovadoras frutos de projetos de pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico. Nelas a universidade busca fornecer um ambiente propicio ao desenvolvimento da empresa, dando assessoria empresarial, contábil, financeira e jurídica, além de dividir entre as várias empresas lá instaladas os custos de recepção telefonista, acesso a internet etc. formando um ambiente em que essas empresas selecionadas têm maior potencial de crescimento.

 

Ex.: A Incubadora da UEMG posiciona que, “a sinergia decorrente da relação entre a Universidade, o mercado, as políticas públicas e as empresas de design tem melhorado as condições de sobrevivência dos empreendimentos, bem como gerado oportunidades de negócios, estimulando, dessa forma, a atividade empreendedora no Estado de Minas Gerais”.

 

  • LABORATÓRIOS EXPERIMENTAIS – Fundação Estudar – permitirá aos jovens participantes que desenvolvam suas ideias, atuem em rede e aprimorem as competências necessárias para tirar suas ideias do papel, desenvolvendo o seu potencial como futuros líderes e transformadores brasileiro.

  • INVESTIMENTO COLETIVO – Plataforma de financiamento de projetos criativos. Onde o mais conhecido deles é o norte-americao, Kickstarters. Toda semana é postado um vídeo teaser de projeto de música, filme, arte, tecnologia, design, comida, publicação e vários outros setores criativos, em que o objetivo final é aumentar as chances de sucesso de uma idéia, tornando-as realidade.

Ex.: SIBITE – vertente brasileira de menor proporção.

 

  • OCUPAÇÃO – Organização feita normalmente por criativos independentes, que se apropriam de um espaço desativado. Formando grandes estúdios, tem uma proposta de reestabelecer conexões culturais entre o imóvel e seu entorno. No Rio de Janeiro, o mais recente famoso caso é a Fábrica Bhering, em Santo Cristo. A antiga casa de doces, hoje abriga cerca de 40 ateliês de artista plásticos além de profissionais de criação que viram ali uma opção aos altíssimos preços de aluguéis de seus possíveis escritórios. Há também aqueles que usam áreas de passagens para desenvolver projetos temporários. Por isso o local acaba sendo também uma galeria, tipo show room, dos mais diferentes conceitos, desde 1990, tomando força apenas em 2010.

Ex.: Coletivo amor de madre – O primeiro espaço criado em São Paulo para fomentar a exposição e divulgação de trabalhos independentes de designers nacionais. A proposta ainda atinge a formação de novos colecionadores, por meio da comercialização de obras de arte e design com preço acessível, e também apropria-se de espaços para divulgação intinerária;

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Para que todos os assuntos abordados possam de fato se tornar possíveis, a iniciativa deve partir, grande parte, do designer. O profissional que está sendo formado precisa se preparar continuamente para que possa entrar no mercado já com uma visão e perspectivas traçadas. De modo que não sejam lançados mais uma entrega. O enfoque dado durante a faculdade facilita a aliança entre as duas coisas: o mercado e a aptidão.

A entrega de um valor nacional é por si só, um trabalho individual natural, traçado pela capacidade expositiva de suas próprias crenças. Só que, muito diferente do que se propõe quando faz, é o olhar de quem ver. E esse valor de estima deve ser trabalhado e aprimorado, com base nas entregas que se quer ver. Exije muita observação e simplicidade de mensagem. A evolução da entrega voltada para o usuário é desenvolvida desde a eclosão da Revolução Industrial. Mas quando a modernidade chegou por aqui? O tempo de resposta do nosso país é outro. Nossa forte influência pelo design norte-americano é uma marca disso. E aí voltamos para a questão da educação,.. E aí, entramos na utilização de referências externas manipuladas por questões sócio-econômicas,.. E aí,… blablabla

Discute-se muito sobre a adaptação ao contexto em que se aplica. O entendimento do termo “GLOCAL”, na verdade se dirige ao pensamento local que pode aplicado de maneira global. As vantagens ou desvantagens desse direcionamento é subjetivo.  A começar com o entendimento de nossa própria cultura. Mas de uma forma ou de outra, a relação de produção criativa no Brasil deve se manter contínua, sem ambições visionárias da necessidade de uma inovação radical.  Não adianta esperarem que sejamos precoces, quando ainda estamos precisando desse apoio para nos manter de pé. Nossa raíz é muito mais profunda. Temos que aprender com nossas próprias pernas. A necessidade de apoio é, em si, é uma questão de hábito.

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