A interação com a audiência

A MAIORIA DAS PESSOAS NÃO PLANEJA FRACASSAR.
Fracassam por não planejar.

Antagonismos em progressão:

Minhas projeções do futuro são baseadas em pessoas. Meus sonhos podem não ser grandes, mas me assustam: dependem de um trabalho colaborativo entre muitas pessoas para que consigam ser realizados; E antes disso, talvez esteja um desafio maior de gerar uma integração eficiente entre estes atores de projeto, e a começar por minhas próprias pernas, conquistar o meu perfil de autora. E bem, eu não posso ter certeza dessas projeções. Claro, sua própria natureza sugere sua imaterialidade. Mas estou partindo da suposição de que projeções são baseadas em indicações, assim como tendências comportamentais são lidas por hábitos de consumo e exposição.  Por isso, seria interessante clarificar aos poucos aquilo que se quer fazer acontecer.

A minha dedicação por Design é uma qualidade de valor intrínseco. Sendo possível visualizar uma associação entre o que se busca profissionalmente e o que é vivido no dia-a-dia. A projeção profissional futura, já seria o maior de todos os projetos de Design que se poderia fazer. Onde cada escolha tida, estaria sendo elemento integrante de uma etapa metodológica tomada por esse grande conjunto-projeto de vida. Definitivamente, nós nascemos para trabalhar. Mas como lidamos com isso faz parte de uma escolha em que predomina uma sutil diferença entre a predestinação e a projeção do futuro.

-Aleluia, irmão! A salvação de todos nós está na projeção de nossos projetos futuros. Por que acabaram com os sonhos e realidades? Acredito que quanto mais gente se envolve, mais complexa pode se tornar uma atividade. Mas ao mesmo tempo, do que adianta restringir-se à esse envolvimento? Sonhos não precisam ser imprevistos, a realidade não é oculta e os riscos são bem vindos, sim!

Por definição, problemas projetuais se caracterizam pelas incertezas. E nesse sentido, ‘o processo projetual envolve a estruturação de um problema com base em conhecimentos incompletos’ para formular soluções. E pela própria essência do projeto, devemos impor algo novo dentro de uma abordagem criativa para  marcar o próprio tempo em um novo modelo de pensar ou agir, criativo para aquela época. Dessa forma, naturalmente são sugeridos requisitos cada vez mais abertos que seguem uma determinada lógica sistematizada, mas que para isso, deve ser percebida dentro daquela geração.

Entre o duvidoso e o incerto, é preferível fazer do momento presente a melhor sugestão do que se quer para o futuro. Posso contemplar a mistura de sentimentos em uma grande explosão de atos (sensível e intuitivo ou social e racional). Às vezes isso pode trazer o foco, mas na maioria das vezes essa dispersão me impede de construir conteúdo direcionado, em um curto espaço de tempo. O meu tempo de produção exige muita interpretação do pensamento. Eu necessariamente necessito de um momento além da pesquisa, mas de absorção e assimilação para que haja o aproveitamento satisfatório de cada etapa. E “ter o conhecimento de cada etapa, diminui 50% do problema” (Metodología de Morales). “Fazer um trabalho bem feito equivale a contemplar minuciosamente cada etapa de atividades.”(LINDEN). Caso alguma delas seja retardada ou acelerada, existirão consequências, que por ventura podem ser boas, mas que acabam por aniquilar o vão de respiro intencionado nas estratégias de realização.

A crise existencial de cada ciclo da vida é tão necessária quanto a própria duração dessa vivência. É um momento de constante debate e reposicionamento da sua estratégia futura frente às suas realizações passadas.  Parar e repensar o que se almeja e quais os métodos de se trabalhar isso, carregando as suas experiências e percepções com você. Assim, a ‘crise profissional’ ganha novas denominações. A cada ciclo se torna mais importante a experiência prática para se ter a nova tomada de decisão. Nesse sentido, no contexto do design, o projeto engloba o conhecimento formal e tácito que só pode ser adquirido na prática sem ordem estabelecida.

Criam-se diferentes conceitos: a projeção do projeto e a programação dessa projeção. A crise do Design manifesta-se na crescente divergência entre os dois termos. “Qual abordagem eu quero sugerir ao mercado de consumo? Qual a minha causa a ser seguida como própria identidade criativa?”. Frente às diversas contradições que surgem sucessivamente na sociedade, aos poucos estaríamos substituindo o pensamento dialógico do projeto (o diálogo entre passado e futuro) pelas soluções dialéticas da programação (a busca pela síntese)”. E com isso, muitas vezes, é sugerido algo novo que desfaz totalmente das relações estabelecidas na história da sociedade até então.

se a história, como esquema da vida projetada, é a estrutura fundamental da cultura ocidental, a crise do design é pelo menso o sintoma de uma crise geral dessa cultura. Ou então, o eixo de toda a cultura ocidental, estruturalmente dualista, é a distinção e, ao mesmo tempo, o paralelismo, o equilíbrio simétrico entre objeto e sujeito. Não é possível pensar separadamente o objeto do sujeito: o sujeito é sujeito porque coloca a realidade como outra e distinta de si; o objeto é objeto apenas porque é assumido e pensado pelo sujeito. Nesse sentido, podemos dizer que a realidade ou um fragmento da realidade tornam-se objeto na medida em que pensada por um sujeito, adquire a singularidade do sujeito. Da mesma forma, o homem é sujeito porque compreende e faz sua a realidade ou fragmento.  Explica-se asim, o design como processo de existência finalística não apenas da sociedade, mas de toda a realidade; é o design que promove uma coisa ao grau de objeto e coloca o objeto como perfectível, ou seja, participante do finalismo da existência humana. A presente crise, portanto, é uma crise global; o mundo moderno tende a deixar de ser um mundo de objetos e sujeitos, de coisas pensadas e pessoas pensantes. O mundo de amanhã poderia não ser mais um mundo de projetistas, mas um mundo de programados. aput BECCARI, ARGAN, G. C. História da artes como história São Paulo: Martins Fontes, 2005.

No ponto de vista de projeto de produto, a ideia de personalização é cada vez mais sutil para o entendimento dos consumidores. A valorização de que uma pequena alteração no produto para o que ainda seria a máxima padronização do objeto, acaba por estimular novos consumidores que se sentem diferenciados no contingente de seus universos individualistas. O que acontece, portanto, é que queremos mostrar aquilo que percebemos como atraente, e que de certa forma, é intencionalmente formulado para ser visto como tal – socialmente construído. Dessa forma então, o grande questionamento no Design se dá pelo o que é experimentado para construir a percepção em si e o que é percebido a partir “do mundo”.

E este caso ainda está em andamento, visto que os trabalhos da faculdade ainda me impulsionam a buscar habilidades específicas e individuais. Por hora, apenas espero que haja um envolvimento de outros estudantes no âmbito do Design, para que todos nos encontremos no momento certo de amadurecimento projetual, em breve. Mas como disse Argan, quanto a crise do Design, a percepção antecede, cria e recria – “o objeto percebido e sua alteração do sujeito é irreversível”. Então toda mudança passa a ser positiva em sua progressão. E temos a possibilidade de ampliá-lo, criando novas respostas possíveis para controlar o próprio futuro, ao invés de simplesmente solucioná-las, sendo empregados de um ciclo sem fim.

Algumas fontes:

BECCARI, Marcos. Filosofia do design parte XXIX – o destino de Argan. Design Simples, 25/02/2012. Disponível em <http://www.designsimples.com.br/filosofia-do-design-parte-xxix-%e2%80%93-o-destino-de-argan/#ixzz29zuq1N9d> Acessado em 18/10/2012.

LINDEN, Júlio Carlos de Souza Van der Linden e André Predroso de Lacerda. Metodologia projetual em tempos de complexidade.

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