‎”Fazendo uma analogia botânica, o design atual assemelha-se a um coco, com casca dura e o interior oco, como se fosse um produto com embalagem vistosa, mas com conteúdo precário. […]

Nas relações internacionais, design transformou-se em instrumento de dominação do Centro sobre a Periferia. Para isso, o design tem-se prestado a instrumentalizar certos MODISMOS como o ‘branding’ para impor o consumo do supérfluo, dando-se primazia aos enfeites, que se sobrepõe às outras características essenciais, como utilidade, praticidade, durabilidade e sustentabilidade dos objetos e sistemas. 

Na área de ensino, devido à rápida criação de muitos cursos, não houve tempo suficiente para a preparação ADEQUADA dos docentes. A maioria deles, com formação em áreas correlatas e sem atuação prática em design, acabou criando a ‘casca do coco’. Por outro lado, em instituíções oficiais de ensino também houve descaminhos, quando privilegiaram os títulos acadêmicos de mestrado e doutorado, praticamente em quaisquer áreas do conhecimento, em detrimento das experiências efetivas na elaboração de projetos. Ou seja, mais contribuições para endurecer a casca do coco.”

Itiro Iída