MPB: a conspiração da música brasileira

Adoro o fato de ter irmãos. E caso não os tenho fisicamente, faço dos meus amigos mais próximos os meus novos agregados da família.

Eu: — Brow, gostaria de saber sua opinião. Assisti um curtinha falando sobre um livro que desmistificou a indústria musical brasileira e colocando tudo como uma grande conspiração, na qual tudo que existe é uma espécie de controle para que a  música brasileira seja percebida como inferior a música estrangeira.. etc. Tirando o sensacionalismo, eu acreditei na ideia contida no vídeo. Mas queria saber de você, se já ouviu falar desse livro e se esse posicionamento não seria só um certo radicalismo fragmentado e focalizado na indústria musical de uma teoria de conspiração muito maior em relação ao brasil e sua posição de inferioridade com o mundo. (?) 

MPB: A HISTÓRIA QUE O BRASIL NÃO CONHECE” (http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=QR5uH6mrYmM)
O livro da qual eles comentam se chama “Firewood Operation”, de Neil Jackman.

E ao procurar pelo livro, acabei identificando em um blog que esse tipo de registro – mockumentário (documentário que faz denúncias conspiratórias) teve sua denominação assim pois remete a uma técnica para cortar árvores nativas, uma alusão ao processo de devastação da Amazônia. (Fonte: http://iconoclastia.org/2013/04/29/mpb-a-historia-que-o-brasil-nao-conhece/)

Apesar de em alguns momentos o filme abusar do sensacionalismo, como a parte do axé music, e posteriormente um ser humano chorando porque não deu certo  (e por isso em alguns momentos dá muita vontade de rir..), é interessante contrapor argumentos. Através do documentário da História do Trio Elétrico (http://www.imdb.com/title/tt0360464/) podemos ver que existia sim uma resistência pelas referências externas, e uma busca pelo o que movia o discurso sobre o próprio povo para o povo. Mas ao mesmo tempo é como se fossem contextualizados de acordo com o desenvolvimento cultural externo – em épocas de grandes festivais, e ir se atualizando, mesmo que com suas bifurcações – como o sertanejo universitário ou o funk da ostentação (https://www.youtube.com/watch?v=5V3ZK6jAuNI)..

Outros argumentos interessantes são as entradas dos grandes festivais internacionais, antes locais, à nível global. E o sentimento de comparação associado a uma sugestiva inferioridade do olhar do público em assistir nomes nacionais e internacionais juntos no palco – o que pode realmente ser verdade, mas quem disse que a Cássia Eller  se sentiu inferior ao tocar no Rock in Rio 2001 ao lado de nomes como R.E.M. e Foo Fighters, atraindo 190 mil pessoas? Isso sem contar os outros artistas que se apresentaram no dia 13 de janeiro como  Barão Vermelho ou Fernanda Abreu.

A grande questão é que tudo é contexto. As referências existem e as águas que embebem os artistas são determinantes para o conteúdo apresentado por eles. Evidente que existe uma diferença muito grande entre as formações de bandas no Brasil e fora dele. Me contenho a comparar a formação do Nirvana à formação do Raimundos – dois grupos que recentemente assisti declarações paralelas sobre o comportamento individual da bandaAchei sensacional ouvir do Rodolfo, do Rodox, que na época de Raimundos ele não sabia nem afinar uma guitarra.. em contraposição a proposta de formação de um tanto de outras bandas né? (como por exemplo o Dave Grohl fala sobre a sua entrada no Nirvana). 

Não sei. para falar mais eu deveria ler o tal livro por um olhar externo e quem sabe procurar mais opiniões dos grandes nomes da música a respeito disso sem o mimimi de quem não fez sucesso ou foi profissionalmente reprimido. Mas de toda a forma, esse post só serve mesmo para a grande declaração do meu Brow.

“– Acho mó doidera isso aí. Independente se existiu ou não essa conspiração louca aí, o fato é que nossa cultura sempre deglutiu o que veio de fora, o lixo, a merda, e fez coisas novas, se reinventou. Não adianta, tem algo que corre no nosso sangue que não se deixa oprimir e formatar. A música brasileira tá muito bem, obrigado.

A cultura brasileira tá aí surgindo e ressurgindo com força em cada canto. O que tá em franco declínio é a cultura de massa, graça!

O filme fala como se esse declínio fosse algo catastrófico, o que pra mim na verdade parece mais uma consequência dos meios do nosso tempo, da conectividade, das novas formas de organização social, que fazem surgir outros agenciamentos que não aqueles medidados por canais hegemônicos.

Ou seja, caguei pra isso tudo aí. O que me interessa é continuar criando, construindo novas soluções, novas possibilidades. Não me interessa ficar me alimentando dessa neurose coletiva, que ela sim, despotencializa, paraliza, é uma força conservadora na sociedade (aliás, rolam várias declarações de cunho bem extrema-direita conservadora nesse filme).”

então UM VIVA A MÚSICA BRASILEIRA! ❤

Thalles, Rodolfo e Luo – Religiosidade atrapalha o gospel:http://www.youtube.com/watch?v=YcKeI5ZGi6k
Um discurso do Dave Grohl sobre encontrar a sua própria voz: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Jw5GhfW4m_g
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