museu do artesanato

Mini-curso de capacitação em design e produção artesanal

O Centro de Arte popular de Minas Gerais foi onde fizemos nossa primeira passagem. E logo de início foi nos perguntado sobre o que seria então o tal do“artesanato”, por assim dizer. A pergunta pode ter sido inesperada para muitos de nós que, sem nunca termos parado para pensar, tentamos criar uma definição daquilo que estamos acostumados a ver desde pequenos, dada a produção artesanal tão rica e vasta espalhado por todo o país. Mas foi mesmo interessante comparar o desenvolvimento do conceito ‘artesanato’ durante o percurso visitado sendo despertado, formulado e reformulado, até o final do nosso passeio, que se estendeu até o Memorial Minas Vale, também no Circuito da Liberdade.

Em ambos os museus podemos nos encantar com a expressão regional mineira, onde é tão bem representada a relação de aproximação que nós temos com as peças expostas – ou mesmo nos confrontando com a distância que estamos delas. Assim, ao passo que nós estávamos muito próximos do ‘-Ato’ resultante, particularmente, eu estaria muito afastada de quem o construiu e revelou. E mesmo sendo carioca, criada no nordeste, me faltava uma bagagem crítica para atiçar o meu olhar para a mesma peça que também é encontrada fora do museu, nos beirais de estradas ou ruas de cidades históricas de Minas Gerais – despertando em mim novas formas de identificação ‘do’ e ‘com’ o artesanato. Todo o acompanhamento com o grupo sugeriu questionamentos como o reconhecimento do traço, a própria estética, os elementos subjetivos atribuídos em expressões de temáticas diversas, e mais ainda, o valor social daqueles objetos para quem os desenvolveu, e a necessidade de aumentar as conexões da metrópole com os valores regionais.

A visita então, nos mostrou muito sobre a relação dos significados e as ações significativas, questionando a entrada da figura do designer no trabalho em conjunto. E atrelado a todo um contexto de denominação histórica, como a entrada de outras culturas para a formação de uma identidade nacional, e a busca pela diferenciação e identificação cultural, temos o melhor estabelecimento da entrada do designer quando esta sugere a promoção deste (re)conhecimento, seja do próprio designer em relação ao artista para o artista, mestre e artesão, vice-versa ou a si mesmo. O que seria então “melhorar” uma relação que por essência já é completa sendo natural e espontânea? Como direcionar a adaptação de um universo nem sempre percebido pelo artesão? O trabalho de um designer é muito mais agregador quando em sua inserção, possibilita a apropriação de um produto para evidenciar a tradição e valor cultural das pessoas e a região que está sendo trabalhada. E consequentemente, garantir um retorno financeiro ou psicológico, dependendo da situação dos desenvolvedores. E também, contanto que ambas as partes atribuam a si mesmas a satisfação pessoal, em todos os níveis relacionais da atividade.

Foi no Memorial Minas Vale que percebemos com mais destaque a importância imaterial da cultura – destacando alguns ritos e rituais, festividades e encantos, e outros conceitos relacionados – onde fica claro que o estabelecimento dos produtos é dado pela própria ritualização. E no caso, a celebração religiosa, poderia ser vista tanto de forma tradicional como contemporânea-revitalizada. E essa oferta despertou a curiosidade por um contexto cultural ainda vívido nos mesmos locais das quais vieram os seus realizadores. O artesanato é então, esta obra que consegue conformar os momentos especiais vividos e reflexões em peças de grande apuro formal, através do domínio dos “artesãos”, “mestres” ou “artista” – dependendo da forma como é tida tal autodenominação.

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